sexta-feira, 12 de agosto de 2016



A esperança me tinge de negro
Me sonda o interior ferido
Já não sinto o toque do tempo
É ele quem me sangra por dentro

Sou sombra tentando existir

Sou dor ao extremo sentir
Sem chance no simples viver
A flor murcha de cima a cair

Não tem gosto o doce algodão

Do doce? Não há lembranças, não! 
Do poema que não me contenta
Das rimas que não se entrosam

E morrem ao serem lidas...



Auxiliadora RS

20/06/2016

segunda-feira, 20 de junho de 2016


Não quero falar de amor, falar das flores, dos homens ou desamores.
Não quero ser pudica, inocente ou meretriz.
Não quero ser falsa, realista ou infeliz.
Não pretendo atingir alguém, nisso só quero ser ninguém para continuar falando.
Estou farta das noticias, de homens atacando homens, se matando.
Não sinto mais a humanidade, o contrário a vaidade é o rei do momento.
Estou cansada do medo, de ser mãe, ser forte, ser mulher e num minuto qualquer chorar
a perda inevitável da vida gerada.
Que tempos são esses? Tempo da incerteza? De olhares medrosos e meninos infratores?
Onde está o tempo das músicas românticas, de jovens compondo letras de justiça?
Onde está esse “Tempo melhor para viver”?
Jornais derramam sangue, programas deturpam palavras, estupram crianças, matam a existência do simples, do Ser bom.
Estou fatigada desse sentimento de incapacidade de tudo, até mesmo da defesa.
Restou apenas a incerteza para conviver...
Haverá ainda um dia qualquer em que me sentirei humana?
Onde poderei falar das flores, dos amores ou desamores?
Onde poderemos juntos caminhar mesmo sem as mães estarem unidas?
Quero o direito de sonhar que me foi roubado.
E ficou esquecido num canto qualquer desse vasto mundo insano.
Vamos voltar a ser humanos, homens, mulheres e crianças
Ser apenas o grão desse dia que de graça me foi dado para viver novamente.
Um mundo simples.
Simples assim!


Auxiliadora Martins
17.12.2015


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Tardes simples para lembrar
a canção que trás o coração de volta
seja o irmão ou inimigo
ou o amigo
ou o esquecido amante
que não é mais como antes
seja lá quem for...

Nos olhos tardios da saudade
ela adentra você
te deixa estático
te eleva, transporta
vai buscar longe quem se foi
e que não volta...

Se aquelas palavras escritas
num papel qualquer te fosse dado
e talvés lido
se faria diferença, não sei
não se sabe
talvés revertesse a ausência
quem sabe...

E o que ficou
foi a angustiante saudade
foi a inércia das horas
de um tempo para viver
a vida dos que ficaram
dos que não morreram
ou morreram sem saber...

O que se sabe então?
Se a verdade do saber é contrária
a esse silêncio insurdecedor?
Eu Sei que perdi
que não renasci
porque ainda não me fui
porque ainda não morri...

Eu sei que vou...
Não sei quando vou...
Mas quero ir!


Auxiliadora RS
17/12/2015 - 10:03

PS: Para minha amiga NELMA ARRUDA, que se foi tão nova,
       por quem choro a ausência da saudade. 


terça-feira, 24 de novembro de 2015

Eu e o espelho

Resultado de imagem para olhando-se no espelho gif.
O reflexo no espelho
O que pode incomodar?
A juventude pedida?
Fugida, fingida, tingida...
Vejo a senhora, com todos seus "ais"
E o tormento como a flor murcha
Do querer ser bela
Sem se importar de que forma
A senhora já foi mais ousada, mais "saída"
E seus olhos claros não refletem mais
A juventude que fora roubada
E o cansaço que sente seus ossos
E a pele de suas mãos tão pálidas
Ah, deve estar realmente morrendo
E não há tinta que enfeite um quadro
Mais demente, que a nudez envelhecida
Falem o que quiser, nunca irá gostar
Desse tempo que castiga
Que a faz lembrar-se do que foi deixado
Do que não voltará
Tendo que se acostumar
Com esse reflexo no espelho

Auxiliadora RS
11/09/2015 - 18h56

sábado, 17 de outubro de 2015


Não faço mais versos
Nem poesias e rimas
Não tenho a ingenuidade das virgens
Nem a visão da sábia
Não sou atirada, nem descolada
Chego a ser até careta
Não sou jovem nem velha
Mas anciã as vezes
Uma coisa eu sei que sou
Sou jogada ao vento
Como as ciganas a dançar
Ao redor das fogueiras
No calor d'alguma noite
Ouvindo a rasga mortalha piar
E ao som do pandeiro, flutuar
Ser simples, como um sonho...

Auxiliadora RS
17/10/2015 - 13:23

sábado, 3 de outubro de 2015

A cor morta que vejo
Não é preto nem roxo
Também não reflete vermelho
A cor morta que vejo
Tem nuances de azul
Ou será amarelo?
Não sei...
Abro os olhos e agora
Me pareceu mesmo verde
Ou uma mistura de limão
A cor morta que vejo
É engraçada, divertida
Porque está apenas em mim
Nos olhos parados
Na imensidão do tempo
Em que eles ficam inertes


Auxiliadora RS
02/10/2015 - 13:45

sexta-feira, 11 de setembro de 2015


É por você que não choro
Sentada, sozinha em minha solidão
É você que me faz forte
Para continuar a caminhada
É só você que me acompanha
Mesmo quando está ausente
É você que me faz sentir assim
Menina às vezes
Mãe protetora
Mulher sedutora
Amante ardente
É você o responsável
Por me querer capaz
Você não entende que desmorono
Mas que retomo o controle...
Você não enxerga que essa culpa está aqui
E que doí demais em mim
O tempo que perdi
É você amor que me levanta
Somente você me faz querer seguir
E vou com você até o fim
O fim de nós dois...

Auxiliadora RS
11/09/2015 - 19:33